TRATAMENTO

O tratamento irá depender do estadiamento, da avaliação do risco e do seu estado geral.

O estadiamento e, quando recomendado, o estudo genético ajudam a determinar qual é o tratamento apropriado para o cancro da próstata.

Estadiamento

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O estadiamento reflete se o cancro da próstata está confinado à próstata ou se se espalhou para outras localizações.

O estadiamento é feito com base nos resultados do toque retal, da biópsia prostática e da ressonância magnética (realizada antes ou depois da biópsia).

Neste contexto, podem ser utilizados exames como a tomografia computadorizada (TAC), a cintigrafia óssea ou a tomografia por emissão de positrões (PET).

 

Após o diagnóstico, os exames imagiológicos permitem avaliar quão avançado está o tumor.

T T1- O tumor não é sentido durante o toque retal e não é visível em examos de imagiologia
T2 – O tumor é sentido durante o toque retal e está localizado na zona da próstata
T3 – O tumor rompeu a camada externa da próstata. Pode ter avançado para as vesículas seminais
T4 – O tumor alastrou para fora da próstata, como a bexiga, reto, músculos pélvicos e/ou parede pélvica
N NX- Nódulos linfáticos regionais não avaliados
N0 – Cancro não avançou para os nódulos linfáticos
N1-Presença de nódulos linfáticos regionais positivos
M M0: Metastização distante não presente;
M1: Metastização fora dos nódulos linfáticos regionais
M1a: Metastização nos nódulos linfáticos extra pélvicos
M1b: Metastização óssea ± nódulos linfáticos extra pélvicos
M1c: Metastização visceral ± óssea ± nódulos linfáticos extra pélvicos


Estadiamento

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O estadiamento reflete se o cancro da próstata está confinado à próstata ou se se espalhou para outras localizações.

O estadiamento é feito com base nos resultados do toque retal, da biópsia prostática e da ressonância magnética (realizada antes ou depois da biópsia).

Neste contexto, podem ser utilizados exames como a tomografia computadorizada (TAC), a cintigrafia óssea ou a tomografia por emissão de positrões (PET).

 

Após o diagnóstico, os exames imagiológicos permitem avaliar quão avançado está o tumor.

T
T1- O tumor não é sentido durante o toque retal e não é visível em examos de imagiologia
T2 – O tumor é sentido durante o toque retal e está localizado na zona da próstata
T3 – O tumor rompeu a camada externa da próstata. Pode ter avançado para as vesículas seminais
T4 – O tumor alastrou para fora da próstata, como a bexiga, reto, músculos pélvicos e/ou parede pélvica
N
NX- Nódulos linfáticos regionais não avaliados
N0 – Cancro não avançou para os nódulos linfáticos
N1-Presença de nódulos linfáticos regionais positivos
M
M0: Metastização distante não presente;
M1: Metastização fora dos nódulos linfáticos regionais
M1a: Metastização nos nódulos linfáticos extra pélvicos
M1b: Metastização óssea ± nódulos linfáticos extra pélvicos
M1c: Metastização visceral ± óssea ± nódulos linfáticos extra pélvicos

 

Estudo genético

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Se tem historial familiar de cancro da próstata, mama, cólon, ovário ou pâncreas, ou se foi diagnosticado com cancro da próstata metastático, pode fazer exames para procurar certas mutações genéticas. A presença de algumas mutações (por exemplo, mutações nos genes denominados BRCA1 e BRCA2) pode indicar a agressividade do tumor e, consequentemente, qual o tratamento com maior probabilidade de eficácia. Para além disso, o estudo genético pode ser relevante para aconselhar outros elementos da família que também estejam em risco.

Quais são as opções de tratamento para o Cancro da Próstata?

O tratamento dependerá do estadio do tumor, bem como do seu estado geral e condição física. O tratamento do cancro da próstata é realizado de forma multidisciplinar, o que significa que o seu caso é discutido pelo seu médico com uma equipa multidisciplinar composta por especialistas de diferentes áreas do tratamento do cancro da próstata (ex. urologistas, radio-oncologistas, oncologistas médicos, radiologistas, anátomo-patologistas, médicos de medicina nuclear, etc…), de forma a escolher a opção que melhor se adapta a cada homem com cancro da próstata.

De acordo com o estadio do cancro da próstata, o médico pode recomendar uma ou mais das seguintes abordagens de tratamento:

Vigilância ativa

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A vigilância ativa baseia-se no facto de muitos tumores da próstata na fase inicial terem uma baixa agressividade e uma reduzida probabilidade de progressão. A vigilância ativa visa assim evitar tratamentos desnecessários, que podem causar efeitos secundários desagradáveis e com impacto na qualidade de vida. A vigilância ativa pressupõe uma monitorização rigorosa e regular, que permita identificar sinais de progressão da doença, de forma a que possa ser realizado tratamento ativo quando necessário. A vigilância ativa é a opção recomendada para a grande maioria dos homens com cancro da próstata localizado de baixo risco, podendo ainda ser utilizada em alguns homens com cancro da próstata de risco intermédio favorável. Durante a vigilância ativa, os médicos devem avaliar regularmente os níveis de PSA no sangue e realizar exames de imagem, como a ressonância magnética. Se o tumor começar a progredir, o seu médico recomendará um tratamento com intenção curativa mais adequado.

Watchful waiting

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Watchful waiting” é o termo utilizado para um outro tipo de vigilância, que implica também uma monitorização do tumor sem tratamento imediato. No entanto, ao contrário da vigilância ativa, que está indicada nas fases mais iniciais da doença e em que o objetivo é manter o potencial para realizar tratamentos com intuito curativo, o watchfull waiting pode ser utilizado em qualquer fase da doença nos casos em que não está indicado o tratamento com intuito curativo (seja pela agressividade da doença, pela idade ou outras condições  da pessoa homem com cancro da próstata), pelo que os tratamentos são apenas realizados para controlar sintomas. Assim, o objetivo do “Watchful waiting” é controlar os sintomas, em vez de curar o tumor.

Por vezes, não existe necessidade de avançar com um tratamento imediato para o cancro da próstata, especialmente se for de crescimento lento.

Cirurgia

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Um dos possíveis tratamentos para o cancro da próstata é a prostatectomia radical,  uma operação para remover a próstata. O objetivo de uma prostatectomia radical é a remoção completa do tumor e, consequentemente, próstata e vesículas seminais. Nos casos onde a progressão do tumor está mais avançada, poderão também ser removidos os tecidos circundantes e os gânglios linfáticos. Esta operação pode ser feita por via aberta ou por via minimamente invasiva (laparoscópica ou assistida por robot).

Nos casos em que a doença está circunscrita à zona da próstata, pode ser possível a remoção do tecido da próstata sem remover os nervos que controlam as ereções (nerve-sparing), com o objetivo de reduzir o risco de problemas de ereção após a cirurgia.

A prostatectomia radical é uma opção de tratamento com intenção curativa para os homens com cancro da próstata localizado ou localmente avançado (neste caso, em associação com outras opções terapêuticas).

Existem outros tipos de cirurgia que podem ser utilizados no tratamento do cancro da próstata. Por exemplo, a remoção da parte interna da próstata (também chamada de ressecção transuretral da próstata) ou a remoção da parte interna dos testículos, que têm como objetivo aliviar os sintomas ou ajudar a controlar a propagação do tumor. No entanto, estas cirurgias não têm intenção curativa, mas sim intenção de alívio de sintomas, sendo utilizadas no contexto de watchfull waiting.

Radioterapia

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A radioterapia é um tratamento que utiliza doses elevadas de radiação para destruir as células cancerígenas da próstata e reduzir o tamanho do tumor. Para algumas pessoas, a radiação pode ser o único tratamento necessário, no entanto, em muitos casos, a radioterapia é realizada em associação a hormonoterapia ou após cirurgia.

Existem dois tipos de radioterapia com intenção curativa que podem ser usados ​​para tratar o cancro da próstata:

  • A radioterapia externa direciona a radioterapia para o tumor a partir de uma máquina fora do corpo.
  • A braquiterapia direciona a radioterapia para o tumor a partir de uma fonte radioativa colocada permanentemente ou inserida temporariamente através de agulhas dentro da próstata, limitando assim a dose aos órgãos adjacentes.

A radioterapia é uma opção de tratamento recomendada para homens com cancro da próstata localizado ou localmente avançado.

Por último, existe também a radioterapia dirigida às metástases, com o objetivo de aliviar alguns sintomas (como por exemplo, a dor óssea).

A cirúrgia para remoção da próstata ou a radioterapia são tratamentos utilizados com intenção de curar o cancro da próstata.

Terapêutica Hormonal

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A terapêutica hormonal (ou hormonoterapia) é utilizada para cancros do aparelho reprodutor, como mama ou próstata. 

O cancro da próstata necessita de testosterona, uma hormona produzida principalmente pelos testículos,  para progredir. Assim, terapêuticas hormonais que bloqueiam a ação da testosterona são utilizadas para reduzir o risco do tumor voltar após tratamento com cirurgia ou radioterapia, ou retardar o crescimento do cancro da próstata avançado. Por si só, a terapêutica hormonal não é um tratamento com intenção curativa.

A terapêutica hormonal pode ser administrada (via oral ou injetável) em conjunto com a cirurgia, a radioterapia ou a quimioterapia. É um tratamento onde os medicamentos utilizados bloqueiam a ação das hormonas dos homens com cancro da próstata, impedindo o crescimento de cancros que dependem dessas mesmas hormonas para progredir.

Existem quatro tipos principais de terapêutica hormonal usados ​​no tratamento do cancro da próstata:

  • A terapêutica de privação androgénica impede a produção de testosterona pelos testículos. Estes medicamentos são administrados por injeção ou implante. Existem dois tipos de terapêutica de privação androgénica: os agonistas da hormona libertadora da hormona luteinizante  e os antagonistas da hormona libertadora da gonadotrofina.
  • Os antiandrogénios são comprimidos que impedem que a testosterona chegue às células cancerígenas. Existem dois tipos de antiandrogénios: os esteróides e os não esteróides.
  • Os inibidores dos recetores de androgénio de 2ª geração são também comprimidos que impedem a ligação da testosterona às células da próstata, no entanto, atuam em diferentes etapas deste processo potenciando o bloqueio hormonal de uma forma mais eficaz.
  • O tratamento com certos inibidores da via dos androgénios implica a toma em conjunto de um medicamento esteroide, de forma a diminuir o risco de efeitos secundários.
  • A orquidectomia, um procedimento cirúrgico no qual é removido o interior dos testículos, de forma a eliminar de forma definitiva a produção testicular de testosterona.

Quimioterapia

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A quimioterapia é um tratamento farmacológico que provoca a morte das células do cancro e evita que elas cresçam e se espalhem para outras zonas do corpo. O seu uso depende do tipo de cancro e da fase da doença. No caso do cancro da próstata, o tratamento com quimioterapia é administrado por via endovenosa (injetada através de um cateter colocado numa veia) e pode ser utilizada para controlar a progressão da doença.

Terapêutica direcionada

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As terapêuticas direcionadas bloqueiam processos biológicos ou mutações genéticas específicos, que estimulam o crescimento das células cancerígenas.

Os inibidores da PARP são medicamentos que bloqueiam a ação de uma enzima envolvida na reparação do DNA e que são utilizados no tratamento de alguns homens que não respondem à terapêutica hormonal e que têm mutações nos genes BRCA1 ou BRCA2.

Terapêutica com radiofármacos

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A terapêutica com radiofármacos combina uma substância radioativa eum agente direcionado a marcadores específicos, expressos nas células tumorais. Esta abordagem permite a libertação direcionada de radiação ao tumor, ao mesmo tempo que limita os efeitos secundários nos tecidos saudáveis circundantes.

A terapêutica com radiofármacos consiste na utilização de substâncias radioativas para a administração de radioterapia, que pode ser direcionada às células cancerígenas da próstata ou ao osso, atuando assim ao nível das metástases ósseas.

Saúde óssea no cancro da próstata

Podem ser utilizados outros fármacos para prevenir fraturas no caso de metástases ósseas. Caso estas sejam acompanhadas por dor, pode também recorrer-se a radioterapia paliativa.

É importante que os homens com cancro da próstata sejam envolvidos na tomada de decisão, quando existem vários tratamentos disponíveis, para que possam escolher o cuidado que melhor atende às suas necessidades.

O homem com cancro da próstata deve ser envolvido na tomada de decisão sobre o seu tratamento.

O médico responderá a quaisquer perguntas que possa ter sobre o seu tratamento. Pode encontrar abaixo quatro perguntas simples que podem ser úteis na conversa com o seu médico, ou qualquer profissional de saúde envolvido no seu tratamento:

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Que opções de tratamento existem para o meu cancro da próstata?

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Quais são as principais vantagens e desvantagens dessas opções de tratamento?

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Qual é o balanço entre a eficácia e os efeitos secundários dessas opções?

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Existem ensaios clínicos a decorrer para o meu tipo de cancro da próstata?